Roteiro 04
Mercado do Livramento

O Mercado do Livramento é o coração comercial de Setúbal desde 1930 e um dos mercados de peixe mais citados da Europa - imprensa internacional incluída. A poucos passos da Avenida Luísa Todi, junta numa única nave o peixe do dia, a fruta da península, as queijarias de Azeitão e dois notáveis painéis de azulejos que fazem dele também um monumento.
A nave do peixe
O espetáculo começa cedo: a partir das 7 da manhã as bancas enchem-se com o desembarque da noite - sargos, robalos, douradas, chocos do Sado, carapaus e a sardinha da época. A variedade e a frescura explicam a fama do mercado, e o ritual dos compradores habituais, que discutem o peixe banca a banca, é metade do interesse da visita. As ostras do estuário do Sado, cultivadas em viveiros locais, aparecem tanto nas bancas como ao balcão, para comer na hora.
Os azulejos de 1930
Nas paredes da nave principal, dois grandes painéis de azulejos da época da construção retratam a vida da região: a faina do mar, a agricultura da península e as vistas da baía. Foram executados nas oficinas de azulejaria de referência do início do século XX e valem uma visita por si só - repare-se no detalhe das cenas de pesca, com as artes e embarcações da época.
O mercado funciona de terça-feira a domingo, apenas de manhã e início da tarde. Segunda-feira está encerrado, como a maior parte das peixarias da cidade - convém planear a visita gastronómica em conformidade.
O que comprar e provar
Além do peixe, as bancas do piso principal reúnem o essencial da despensa regional: queijo de Azeitão, mel da Arrábida, laranjas e morangos da península, azeitonas e pão de padaria local. Várias bancas servem petiscos e refeições rápidas - a fórmula habitual é escolher o peixe e pedir que o grelhem na hora, ou provar as ostras com um copo de vinho branco da região.
Depois do mercado
A visita combina naturalmente com o resto do centro: o choco frito ao almoço na Avenida Luísa Todi, a zona ribeirinha a pé e, com a tarde livre, o Parque Urbano de Albarquel ou o ferry para Tróia. Quem vier de comboio desde Lisboa fica a dez minutos a pé do mercado - é o ponto de partida mais lógico para qualquer dia em Setúbal.
Um edifício com quase um século
O mercado nasceu da expansão da cidade para poente no início do século XX, quando as bancas dispersas do centro foram concentradas numa estrutura à altura do porto de pesca. O edifício de 1930 mantém a lógica original - uma grande nave clara, pensada para a lota da manhã - e as remodelações posteriores modernizaram o frio e as bancas sem tocar no essencial. É essa continuidade que o distingue de tantos mercados reconvertidos em praças de restauração: o Livramento continua a ser, antes de tudo, o sítio onde Setúbal compra o peixe.
Dicas de visita
Para ver o mercado no seu melhor, a visita faz-se de manhã cedo, de preferência ao sábado, quando a oferta e o movimento atingem o máximo. A fotografia é tolerada com bom senso - pede-se licença aos vendedores antes de fotografar as bancas de perto. Quem quiser levar peixe para casa encontra bancas que embalam para viagem, e as queijarias vendem o queijo de Azeitão em embalagem própria para transporte. No fim, o café da manhã toma-se nos balcões do próprio mercado ou nas padarias da rua em frente.