Roteiro 10
Igreja e Convento de Jesus

A Igreja de Jesus é o monumento mais importante de Setúbal e um marco da história da arquitetura portuguesa. Construída no final do século XV, é considerada uma das primeiras obras do estilo manuelino, o gótico tardio português que haveria de culminar nos Jerónimos e na Torre de Belém. Fica na parte alta do centro histórico e é o ponto de partida natural para um passeio pelo património da cidade.
Um convento fundado por uma ama real
O Convento de Jesus foi fundado por iniciativa de Justa Rodrigues Pereira, ama do futuro rei D. Manuel I, para acolher uma comunidade de freiras clarissas. A obra da igreja é atribuída a Diogo Boitaca, o arquiteto que mais tarde trabalharia no Mosteiro dos Jerónimos. O convento cresceu ao longo dos séculos seguintes e a igreja recebeu decoração de azulejo e talha, mas conservou a estrutura original que a torna excecional.
As colunas torsas
O que mais impressiona ao entrar são as colunas torsas, em espiral, que sustentam a abóbada da nave. Foram talhadas em pedra da Arrábida, um calcário de tons rosados extraído na serra, e dão ao interior uma leveza pouco habitual nas igrejas da época. A capela-mor, com abóbada nervurada, completa um espaço que parece mais alto do que é. Os painéis de azulejo nas paredes laterais, acrescentados mais tarde, contrastam com a pedra e contam episódios religiosos em azul e branco.
Por fora, a igreja é sóbria: o portal manuelino é o principal elemento decorativo de uma fachada simples, que não deixa adivinhar a riqueza do interior.
Antes de visitar, confirme os horários: a igreja e o museu têm horários próprios e podem fechar em feriados ou durante obras de conservação. A visita ao interior demora cerca de meia hora.
O Museu de Setúbal
As dependências do antigo convento acolhem o Museu de Setúbal, cuja peça central é o conjunto de pintura portuguesa do século XVI que pertenceu ao retábulo da igreja. As tábuas, atribuídas a uma das principais oficinas de pintura de Lisboa da época, são um dos conjuntos mais importantes do género em Portugal. O museu inclui ainda peças de ourivesaria, escultura e azulejo ligadas à história da cidade.
Outros monumentos do centro histórico
A partir da Igreja de Jesus, o centro histórico percorre-se a pé em poucas horas. A Sé de Setúbal, a Igreja de Santa Maria da Graça, guarda talha dourada e azulejos dos séculos XVII e XVIII. Na Praça de Bocage, a Igreja de São Julião mostra um portal manuelino voltado para a praça principal da cidade, onde a estátua do poeta Bocage domina o largo.
Perto da zona ribeirinha, a Casa do Corpo Santo, antiga sede da confraria dos pescadores, tem um interior revestido de azulejo barroco e talha que surpreende pela riqueza. No alto da colina a poente, o Forte de São Filipe, construído no final do século XVI, oferece uma das melhores vistas sobre a baía, Tróia e a Arrábida. As ruas entre estes pontos estão cheias de chafarizes, fachadas de azulejo e pequenas praças que pedem paragem.
Um roteiro de meio dia
Uma sugestão para uma manhã: começar na Igreja de Jesus e no museu, descer pelas ruas do centro até à Praça de Bocage e à Igreja de São Julião, seguir para a Sé e terminar na zona ribeirinha, junto à Casa do Corpo Santo. Daí, o Mercado do Livramento e as casas de choco frito da Avenida Luísa Todi ficam a poucos passos para o almoço. À tarde, com carro, a subida ao Forte de São Filipe ou à Serra da Arrábida fecha o dia com vista sobre a baía.