Roteiro 07
Golfinhos do Sado

Setúbal tem uma particularidade rara na Europa: uma comunidade de golfinhos que vive o ano inteiro dentro de um estuário, a poucos minutos do centro da cidade. São roazes (Tursiops truncatus), a espécie de golfinho mais conhecida, e fazem parte da paisagem do Sado há gerações. Vê-los a nadar ao lado de um barco, com a Serra da Arrábida e a península de Tróia como pano de fundo, é uma das experiências mais procuradas por quem visita a cidade.
Os roazes residentes do Sado
A comunidade do Sado é pequena, na ordem de três dezenas de animais, e é acompanhada de perto por investigadores há décadas. Os golfinhos são reconhecidos individualmente pelas marcas e recortes da barbatana dorsal, e muitos têm nome. Alimentam-se no estuário e na costa próxima, onde encontram choco, polvo e peixe, e deslocam-se com as marés entre a barra, a zona da cidade e o interior do rio.
O estuário está protegido pela Reserva Natural do Estuário do Sado, e os roazes são uma das razões dessa proteção. A comunidade é sensível ao tráfego de embarcações, ao ruído e à qualidade da água, por isso a observação está regulamentada e deve ser feita com operadores licenciados.
Como funcionam os passeios
A forma habitual de ver os golfinhos é num passeio de barco organizado, com saída das docas e da marina de Setúbal. Os passeios duram em regra entre duas e três horas e percorrem o estuário à procura dos grupos, guiados pela experiência dos skippers e pela informação partilhada entre embarcações. Muitos incluem um troço pela costa da Arrábida, com vista para as praias da serra e para as falésias calcárias, ou uma passagem junto a Tróia.
Há opções para vários perfis: barcos semirrígidos, mais rápidos e próximos da água, e catamarãs ou veleiros, mais estáveis e confortáveis para famílias com crianças. O preço varia com a duração, o tipo de barco e a época, e convém reservar com antecedência nos meses de verão e aos fins de semana.
Leve um casaco mesmo em agosto: no mar, com o vento da barra, a temperatura desce bastante em relação à cidade. Óculos de sol, protetor solar e uma garrafa de água completam o essencial.
Regras de observação
Os passeios seguem um código de conduta pensado para não perturbar os animais. Os barcos aproximam-se devagar, pelo lado e nunca de frente, mantêm uma distância mínima, limitam o tempo junto de cada grupo e evitam cercar os golfinhos ou separar as crias das mães. Não é permitido alimentar nem tocar nos animais, e nadar com eles também não faz parte da observação responsável.
Na prática, o melhor momento é muitas vezes aquele em que o motor desliga e são os golfinhos que decidem aproximar-se, a respirar à superfície ou a nadar na proa. Um bom operador explica o comportamento dos animais e o trabalho de conservação, e a visita ganha outra profundidade.
Melhor época e hora do dia
Os roazes vivem no Sado durante todo o ano, por isso não há uma época de ausência. A primavera, o verão e o início do outono oferecem mar mais calmo e mais saídas por dia; no inverno os passeios são menos frequentes e dependem do estado do tempo. As manhãs costumam ter menos vento e água mais lisa, o que facilita avistar as barbatanas à distância.
Como combinar com o resto do dia
O passeio encaixa bem numa manhã, deixando a tarde livre para a cidade. Ao regressar às docas, o Mercado do Livramento fica a poucos minutos a pé, e a Avenida Luísa Todi concentra as casas de choco frito para o almoço. Para quem prefere continuar na natureza, a tarde pode passar-se numa das praias da Arrábida ou num percurso pelas zonas húmidas do estuário, onde os flamingos são presença regular no outono e no inverno.
Com tempo para mais, a travessia de ferry para Tróia é outra forma de olhar para o estuário: a viagem é curta e, de vez em quando, os golfinhos aparecem junto ao percurso dos barcos. Não é garantido, mas faz parte do encanto de uma cidade onde a vida marinha está literalmente à porta.
Uma presença a proteger
A comunidade de roazes do Sado é pequena e depende de um estuário saudável. Escolher operadores licenciados, respeitar as distâncias e não pressionar os barcos para se aproximarem são gestos simples que ajudam a que os golfinhos continuem a ser vizinhos de Setúbal por muitas gerações.