Roteiro 11
Estuário do Sado

O estuário do Sado é a grande paisagem natural de Setúbal. Entre a cidade, a península de Tróia e as planícies de Alcácer do Sal estende-se um mosaico de canais, sapais, salinas, arrozais e lodaçais que alimenta milhares de aves e uma comunidade residente de golfinhos. Desde 1980 está protegido como Reserva Natural do Estuário do Sado, uma das zonas húmidas mais importantes do país.
Uma reserva à porta da cidade
O que torna o Sado especial é a proximidade: a poucos minutos do centro de Setúbal, a paisagem muda por completo. A margem norte, entre a cidade e a zona da Mourisca, tem os acessos mais fáceis; a margem sul, do lado de Tróia e da Comporta, é mais selvagem e combina o estuário com arrozais e pinhal. Em todo o estuário, a vida segue o ritmo das marés, que duas vezes por dia cobrem e descobrem os lodaçais onde as aves se alimentam.
Flamingos e outras aves
Os flamingos são a imagem mais conhecida do Sado. Formam bandos de dezenas ou centenas de aves que se alimentam nas águas baixas e nas salinas, sobretudo entre o outono e a primavera. Além deles, o estuário recebe garças, colhereiros, cegonhas, alfaiates, pernilongos e muitas espécies de limícolas, as pequenas aves que procuram alimento no lodo. No inverno chegam aves do norte da Europa, o que faz desta a melhor época para observação.
Consulte a tabela de marés antes de sair. Com a maré a meio da descida, os lodaçais começam a ficar a descoberto e as aves concentram-se perto das margens, mais fáceis de observar.
O Moinho de Maré da Mourisca
Na margem norte do estuário, o Moinho de Maré da Mourisca é o ponto de visita mais conhecido da reserva. É um antigo moinho que aproveitava a força das marés: a água entrava num reservatório na maré cheia e, ao vazar, fazia girar as mós. Recuperado, funciona como centro de interpretação da natureza, com informação sobre o estuário e um observatório de aves. À volta, percursos pedonais atravessam salinas e sapais com vista para os flamingos e para a Serra da Arrábida ao fundo.
Salinas, arrozais e pesca
O estuário é também uma paisagem humana. As salinas, algumas ainda ativas, desenham tabuleiros geométricos que se tornaram habitat das aves. Na margem sul, os arrozais da Comporta e de Alcácer do Sal mudam de cor ao longo do ano, e os cais palafíticos da Carrasqueira, construídos sobre estacas de madeira pelos pescadores, são um dos lugares mais fotografados da região. A pesca artesanal e a apanha de bivalves continuam a fazer parte da vida do rio.
Os golfinhos do estuário
O Sado é casa de uma pequena comunidade residente de roazes, uma das poucas na Europa. Os golfinhos deslocam-se por todo o estuário com as marés e podem ser observados em passeios de barco a partir de Setúbal. Saiba como no nosso guia dedicado aos golfinhos do Sado.
Como visitar
Para uma primeira visita, a zona da Mourisca é a mais acessível a partir de Setúbal, com estacionamento, percursos sinalizados e observatório. Os passeios de barco permitem ver o estuário a partir da água, e a travessia de ferry para Tróia oferece uma vista ampla da foz do rio. Quem tiver um dia inteiro pode atravessar para a margem sul e seguir até à Carrasqueira e à Comporta, combinando natureza com as praias da costa alentejana.
Em qualquer caso, a regra é a mesma: manter distância das aves, não sair dos caminhos nas zonas sensíveis e levar o lixo de volta. O estuário é tranquilo, e essa tranquilidade faz parte do que o torna valioso.