Roteiro 09
Vinhos de Setúbal e o Moscatel

A Península de Setúbal é uma das regiões vinícolas mais antigas de Portugal, e Setúbal deu nome a um dos seus vinhos mais singulares: o Moscatel de Setúbal. Entre a Serra da Arrábida, as areias de Palmela e o estuário do Sado produzem-se brancos, tintos e generosos, com adegas centenárias abertas a visitas. Este guia resume o que provar e onde.
A região e as denominações
A região divide-se em duas denominações de origem: Setúbal, reservada aos vinhos generosos de Moscatel, e Palmela, que abrange brancos, tintos e rosés de qualidade. O resto da produção sai com a indicação geográfica Península de Setúbal. O clima é mediterrânico com influência atlântica, com verões quentes e secos suavizados pela proximidade do mar e do rio, e os solos variam entre o calcário da serra e as areias da planície.
O Moscatel de Setúbal
O Moscatel de Setúbal é feito sobretudo com a casta Moscatel de Alexandria. Durante a fermentação junta-se aguardente vínica, que trava o processo e guarda parte do açúcar natural da uva. Depois, as películas ficam a macerar no vinho durante meses, o que lhe dá o aroma característico a flor de laranjeira, casca de laranja, mel e passas. Segue-se o estágio em cascos de madeira, mais ou menos longo consoante o estilo.
Os Moscatéis jovens são frescos e muito aromáticos; os mais velhos ganham cor âmbar, notas de frutos secos, caramelo e especiarias, e uma complexidade que justifica o prestígio internacional. Existe ainda o Moscatel Roxo, feito com uma casta de uva rosada que esteve perto de desaparecer e hoje é produzida em pequenas quantidades. É mais raro, mais delicado e muito procurado por colecionadores.
Sirva o Moscatel fresco, como aperitivo ou à sobremesa. Combina bem com doces de ovos como as tortas de Azeitão, com queijos de ovelha e com frutos secos.
A casta Castelão e os tintos
Nos tintos, a casta emblemática é a Castelão, muito plantada nas areias de Palmela, onde dá vinhos de fruta vermelha, frescura e taninos macios. A casta é também conhecida por Periquita, nome que vem de uma marca histórica de Azeitão e que acabou por se tornar sinónimo da uva na região. Ao lado da Castelão, as adegas trabalham castas portuguesas e internacionais, em vinhos que vão do dia a dia aos topos de gama.
Adegas a visitar
Em Azeitão concentram-se algumas das casas mais antigas. A José Maria da Fonseca, fundada no século XIX, tem casa-museu e adegas em Vila Nogueira de Azeitão, com visitas guiadas e provas. Em Vila Fresca de Azeitão, a Bacalhôa recebe visitantes na sua sede, e as visitas ao Palácio da Bacalhoa mostram a ligação entre o vinho, a arte e o património. Na zona de Palmela, a Casa Ermelinda Freitas e várias adegas cooperativas e familiares têm salas de prova abertas ao público.
A Rota de Vinhos da Península de Setúbal reúne produtores, horários e contactos, e é o melhor ponto de partida para planear um dia de provas. Na maioria das adegas a visita é feita por marcação, por isso convém ligar ou reservar com antecedência, sobretudo ao fim de semana.
Vindimas e festas do vinho
Setembro é o mês das vindimas, e Palmela celebra-o com a sua Festa das Vindimas, uma das festas populares mais conhecidas da região. Ao longo do ano, as adegas organizam provas, jantares vínicos e eventos temáticos, divulgados nos seus canais e no calendário da rota.
Como organizar o dia
Uma boa combinação é visitar uma adega de manhã, almoçar em Azeitão e passar a tarde na Serra da Arrábida ou no palácio. Se o plano inclui provas, escolha um condutor que não beba ou opte por uma visita organizada a partir de Setúbal. O vinho, aqui, aprecia-se melhor sem pressa.